domingo, 7 de setembro de 2008

Eternidade ou finitude?

Finalmente, aqui venho tratar da questão mais difícil.
Pegando nas conclusões anteriores, em relação ao Amor (ou Deus), tentarei justificar a existência duma eternidade, embora com uma finitude. Aviso desde já que isto é fruto duma reflexão pessoal e duma crença, ou seja, quem não achar que o Amor seja o porque sim significante de tudo, não vai gostar desta ideia. Prossiga a marcha.

Como já disse, todos nós temos vontade, liberdade determinada pelo acaso e/ou pelo amor e somos seres com relações de interdependência estabelecida com o meio. Agora, vendo bem, a única coisa contra-natura no Mundo é o Homem e a natureza parece que, porque sim, corre direitinha e equilibrada, não fôramos nós estar aqui. Assim, poder-se-ia pensar que talvez a natureza estivesse regida por uma só vontade, como se todos os seres vivos e o meio que os criou e que os sustenta e que os transforma, fossem vários corpos, mas apenas um Ser. E porque não? Este porque sim natural não poderá constituir um Ser, ou seja, um só Amor, um só Deus? Isto é uma visão um pouco panteísta do cristianismo, mas já vou desenvolver.
O que quero dizer é que está à vista de todos que há algo que une o Universo e o seu curso, há algo que nos mostra a nossa pequenez ao tentar perceber como é possível, com tantos acasos, estarmos aqui, Homens, autênticos semi-deuses, porque criadores e portadores de vontade independente. Há uma força unificadora, chamemos-lhe assim, do espaço, de Tudo, e para que tudo parece caminhar. Essa força unificadora, tal como a palavra indica, não poderá ser a unificação de todos os seres (corpo e alma)? Por outras palavras, não caminhamos todos para um Ser? Corporalmente - mortos, seremos parte da natureza e a matéria/energia do nosso corpo será totalmente reaproveitada por animais, fungos, bactérias, plantas,...
Espiritualmente - será que, assim tão unidos ao meio não passaremos a ser parte integrante desse porque sim a que chamo Deus? Isto é, não passaremos a fazer parte desse Ser gigante, com apenas uma vontade, sem limites espaciais ou temporais, pois está em Tudo? Pensemos bem: o que une os seres humanos em comunidade? Não pode ser apenas um acesso de líbido, pois se fosse apenas isso, não teríamos necessidade de comunicar, isto é, viver em comunhão. Assim, tem que haver algo que nos une e nos obriga a comunicar, a responsabilizar-nos por outros, a afastar o egoísmo em prole duma vontade comum. Se todos fossem dotados da mesma vontade, atingir-se-ia a total união, a verdadeira comunhão. Logo, é esse o propósito para que caminhamos - unir tudo, implicando isto avanços e recuos, vitórias de egoísmos e vitórias de amores (e sim, até homens como o Hitler tinham a necessidade de comunicar, de pôr em comum).

Assim, não pode o Amor ser um Ser sem limites físicos e que, por isso, habita em nós e, mais ainda, habita em tudo o que nos rodeia?

Chegando à eternidade, apliquemos-lhe estas ideias.
Morto eu, o meu corpo alimentará outros tantos corpos e, assim, a minha "energia vital" vai estar, SEM LIMITES CORPORAIS, distribuida por uma multiplicidade de seres e, por sua vez, já é fruto duma multiplicidade de seres anteriores. Não será essa ligação tão infinita e inacabável um ser apenas, sem qualquer limite temporal, ou, por outras palavras, uma eternidade?
Na minha cabeça faz todo o sentido que seja.
Ao mesmo tempo, morta a minha alma, as minhas memórias, a minha vontade, o que resta senão unir-me à comunhão final, à vontade una e eterna que parece ligar tudo a que chamo o porque sim? Isso não será porventura a comunhão com Deus? Com o Amor? Isso não será porventura a eternidade? O Céu, vá, dito duma forma bíblica.

Por hoje, fico-me com isto, mas ainda falta justificar, então, a razão pela qual há no Universo o Homem (e talvez outros seres dotados de vontade e ego [autonomia]), único ser contra-natura, desestabilizador desta eternidade. Porque existimos, então? Porque razão ainda não somos totalmente esse Ser, essa eternidade absoluta? Para quê a vida, então?

Fica para uma próxima, senão isto ficaria muito denso...

7 comentários:

Anónimo disse...

Com a base da ideia já começo a discordar. O homem será a coisa mais natura do mundo: a possível evolução não orientada por esse “porque sim”. Alias, como referes tu mesmo “homens, autênticos semideuses, porque criadores e portadores de vontade independente”. Então passo a dizer que a natureza só existiu direitinha e equilibrada quando apareceu o homem. Surge assim talvez um “por quê porque sim”, ou então posso mesmo chamar-lhe um “porque não”. Deste modo a natureza passa a estar influenciada por mais do que uma vontade.
O que acontece e que são ambos seres. Mas são seres diferentes:
O homem é um ser que existe corporal (palpável), intemporal (na medida em que o seu corpo morre para a terra e forma um ciclo no mundo), o homem incorpora o “porque sim” e o “por quê porque sim/porque não”. Ou seja, o homem tem um pouco de “deus” em si.
O 2ndo ser, o tal “porque sim”, é um ser corporal (não palpável, excluindo assim o universo), intemporal (pois existe em presente, sempre).

Assim, na vida, a ideia é unires a tua vontade com a do segundo ser, para viveres uma vida na paz. O que não significa que este seja o objectivo último, mas assim encontra-se o bom equilíbrio.

Mas o homem não poderia existir sozinho no nada e deus sim.
Assim, deus é um ser superior ao homem, na medida em que existe por ele mesmo.

Deus tem muitas armas para fazer tudo o que quer, mas usa apenas uma, a mais forte: o amor.
Deste modo, igualo o amor a essa força unificadora, que une todos os seres e não seres. Une tudo o que exista, pois deus ama tudo, e assim o amor está em todo o lugar.
Permita-me que discorde ainda com a justificação para a pergunta que colocou: se caminhamos todos para um ser. A justificação para a parte corporal e para a espiritual foi a mesma, achando que o espiritual estivesse atado ao corporal. A comunhão não justifica o caminho para o mesmo ser, pois para eu ter a melhor vida possível, terei que viver em comunhão com os outros. Se caminharmos os dois no mesmo sentido, ate com a mesma vontade, querendo cada um a melhor vida para si, não caminhamos os dois para um mesmo ser, até vamos em direcções opostas.

Assim, e para reforçar a ideia que o amor não é um ser, verifico que o amor e incorporal, e não tendo corpo, é um parasita (no bom sentido), pois precisa de outro ser, com quem partilhar a simbiose, e assim existir.

No fim do corpo intacto (pois este permanecera na terra o seu ciclo), a alma, as memorias e a vontade, vão deixar de comungar com o homem e passar a comungar com deus. E nessa altura será estúpido lutar por uma mesma vontade una e eterna, pois serão todos comunhão. E aí só se conhecera o amor, pois todo o ser o terá em si de uma forma quase exagerada.

bem, vou ficando a espera de uma resposta

Benjamim Natura disse...

só uma questão, antes de lhe responder?
Para si, Deus=Amor?
Ou Deus é um ser Criador de amor?

Um ser tem, obrigatoriamente, um corpo físico, isto é, um cadáver?

Outra questão? o amor que "todo o ser terá em si de uma forma exagerada" não é o atingir duma vontade una e eterna?

Peço desculpa, acho que empreguei mal a palavra vontade e, por outro lado, tomei como dogma pessoal que um ser não tenha um corpo.
Há algo que não consigo conceber, e daí talvez o meu erro, que é o seguinte: um Deus independente da Criação - para mim, Deus está aqui.
o seu "ama tudo" é o meu "está na essência de tudo"(essência - corpo espiritual, ou o corpo não-físico de que é feito o amor, ou orientalmente falando, a energia vital do Universo [karma, se não me engano, mas acho que me enganei]).

O que eu no meu "eternidade ou finitude" tentei explicar foi que o Homem, porque criador, semi-deus, tem, sem dúvida, uma vontade e um individualismo, e daí a sua contra-natureza, apenas no sentido em que uma árvore, um bicho, um etc. não é dotado dessa humanidade. usei mal a expressão, tem toda a razão.
o meu objectivo era destruir essa presumível contra-natureza humana. Porque o Homem continua a ser natureza, uma vez que tudo o que faz dele Homem continua a ser fruto dum acaso, ao qual prefiro dar um sentido, chamando-lhe Amor. As ideias, a inteligência, a vontade, nós controlamo-las (numa pequena parte) - sabemos o que pensamos, sabemos por vezes porque o pensámos, mas NUNCA sabemos como construimos o que pensamos, ou, por outras palavras, porque razão as nossas reconstruções do real, que são a base do desenvolvimento do homem em relação ao animal (a seguir vem o comunicá-las, isto dito duma forma muito simplista, não estudei filosofia numa faculdade nem tenho uma cultura por aí fora), nos aparecem como e quando aparecem e não doutra forma totalmente diferente. Quanto a esta questão, só posso conceber que foi assim "porque sim", porque a minha desvontade, que será então o meu "pedacinho de Deus" que está em mim e em tudo e para onde tudo vai e que NÂO EXISTE COMO SER INDEPENDENTE DE TUDO (seria melhor esta palavra, desvontade, então) veio cá à cabeça e eu depois reconstrui-a com a minha vontade. Aí sim, posso considerar dois seres, mas o que digo é que a vontade acabará quando eu der o berro, e aí serei parte da essência de Tudo (serei apenas o 2º ser) do porque sim que mete as coisas nas cabeças e as energias vitais no real, talvez fisicamente também, se tiver em conta que toda a minha energia será reabsorvida pelo meio. e aí, o "porque não" passa a ser apenas a vontade e liberdade do Homem que questiona, ou seja, o "porquê porque sim", que cria uma espécie diferente de evolução (contra-natura, por não ser o porque sim; ou natura porque o "porque não" está dentro, também ele, do porque sim, mas a nossa cabeça não o concebe); e que cria, através desse mesmo poder criador, a maldade, ou egoísmo. com isto, quase me atrevo a dizer, como "assim falava Zaratustra", que é preciso haver maldade para haver uma evolução e que, se o Amor é a vontade essencial de Tudo, já "acaseou" tudo de forma a que houvesse o mal.

Com o Homem, realmente o Mundo evoluiu, mas, ainda assim, a essência do Homem é um "porque sim", que eu, comodamente, digo que é Deus.

Eu no fundo acho que tem toda a razão, meu caro senhor anónimo, mas prefiro não dividir o Amor dos seres. Ou melhor, prefiro alimentar o meu orgulho e a minha maldade - benditas sejam elas...

Benjamim Natura disse...

não quero dizer que o Amor seja o egoísmo, o orgulho e a maldade, mas criou-os porque só assim pode existir também bondade.

Estou-me a explicar mal, ainda tenho muito por resolver

Anónimo disse...

Boas Sr. Natura,
Desculpe-me a demora na resposta. Acaba por ir. Aqui.

“Deus=Amor. Ou Deus criador de Amor?”
Para mim Deus é criador de amor e criado por amor. O que não significa que sejam a mesma coisa, pois deus e um ser e amor um parasita que abunda e desbunda n’ele.”
Como o amor também parasita o homem é frequente dizer-se que cada um de nos tem um bocadinho de deus em si, o que me parece de certo modo, um bom engano.

“Um ser tem, obrigatoriamente, um corpo físico, isto é, um cadáver?”
Um ser tem obrigatoriamente um corpo. Disto não há duvida. O que eu acho(e talvez seja este o cerne da questão) e que pode ter um corpo físico sem cadáver. Um corpo físico porque existe uno no universo( existe no universo, não e o universo). Existe. Mas pode não ser palpável as nossas mãos, nem visível aos nossos olhos. No meu entendimento , dizer corpo físico acaba por ser uma redundância. O “físico” vem dar força ao que o “corpo” tenta descrever.

“o amor que "todo o ser terá em si de uma forma exagerada" não é o atingir duma vontade una e eterna?”
Mas essa vontade vem de onde? No nada pode-se colocar deus e assim também o amor. Este amor vem de algum vontade? Talvez se possa dizer que vem da vontade de deus. Mas o amor não e posterior a vontade d’ele. O amor habita n’ele. O amor e essa vontade una e eterna são coisas diferentes mas julgo, e por nenhuma ser anterior a outra (deus e eterno assim cm o seu amor e a sua vontade), que ambas coexistem no tempo e no espaço.

Esta parte tive dúvidas em perceber:
“Um Deus independente da Criação - para mim, Deus está aqui.
o seu "ama tudo" é o meu "está na essência de tudo"(essência - corpo espiritual, ou o corpo não-físico de que é feito o amor, ou orientalmente falando, a energia vital do Universo [karma, se não me engano, mas acho que me enganei]).”
Duvida primeira: o amor também e feito de um corpo físico, para deste modo se poder falar do corpo não-fisico do amor?
Duvida segunda: ao substituir o meu “ama” pelo seu “essência-corpor não físico de que e feito o amor” não estará a igualar tudo?

Agora, permita-me que interprete a sua pergunta e a responda (perdoe-me e avise-me se o fizer erradamente):
Eu não digo um deus independente da criação. Deus amou tudo antes ate do tudo existir. O tudo teve sempre amor, porque deus sempre o amou. Deus criou o tudo com o seu amor e daí que o amor seja um parasita em tudo (e sim, existe em tudo, como concluirei mais a frente). Reforço ainda que o amor não e um ser que só passou de deus para os resto e só existe em simbiose.




Se “porque sim” é igual a “pedacinho de deus”, passa a haver um porquê: porque deus. Para mim faz toda a diferença ter sido deus a criar essa sua desvontade. Alias, a dependência da desvontade e deus.
Desta forma a desvontade( o que não consegue explicar da construção do pensamento e outras coisas que tais) foi criada por deus, alias como você mesmo foi criado por deus, vem a cabeça e em cima pomos a nossa liberdade e a nossa vontade. Essa vontade sim acabar quando ser o berro. E aí não integrara deus, mas viverá em comunhão com ele.
Fisicamente partilhara o universo. Será universo (palpável e por isso diferente de deus), com a sua matéria e energias.






Agora, concordo com que o “porque não” possa ser essa vontade e liberdade do homem que questiona, criando uma espécie diferente (do resto da natureza, sim) de evolução e que cria deste modo também a maldade e o egoísmo. O que eu ainda acho e que isso e natura / tem que haver contrários, certo? Por ex.: bom/mau). Não é contra-natura por não ser o “porque sim”, pode ser natura e não estar dentro do “porque sim”. Assim é natural que haja um “porque não” e é humano (a tal humanidade que falou) que haja um “por quê porque sim”.

Agora a conclusão (na qual acabo por concordar consigo):
Se há amor poderá haver ausência total dele? Acho que não. Nem sequer existe uma palavra para tal. Mas o amor pode ser muito escasso e estar escondido por alguém que não o queira. Isso acontece qd se reúnem em peso o egoísmo, o orgulho, a maldade e outras q tais… assim o amor passa a ser um parasita incondicional em todos, mas numa dose mínima obrigatória da existência… a má noticia é que me quer crer que este “porque não” tem também uma dose mínima obrigatória a todo o homem.

Agora depende de si, de mim, de todos. Alimentamos qual?
E por esta razão que se deve acreditar em todas as pessoas (não querendo eu dizer que todas as relações humanas são boas e construtivas para os intervenientes).


Agora espero ter-me explicado melhor…
Que isto de percebermos esta longe de ser possível. Sabe isso não sabe?

Benjamim Natura disse...

" que eu acho(e talvez seja este o cerne da questão) e que pode ter um corpo físico sem cadáver. Um corpo físico porque existe uno no universo( existe no universo, não e o universo). Existe. Mas pode não ser palpável as nossas mãos, nem visível aos nossos olhos." - então acha que, para além do cadáver, há algo em nós constituído por matéria e energia, mas possivelmente invisível aos olhos?
E será isso a alma, ou o tal corpo do ressuscitar "em corpo e alma"?

Agora a resposta às dúvidas.
Quando digo um Deus que não seja independente da Criação, quero dizer um Deus que só exista na e com a Criação (um bocado à panteísta, novamente, uma espécie de Deus é Tudo). Quanto ao corpo não-físico, não quis dizer que houvesse um físico, apenas quis dizer que o amor é, digamos assim, a alma das coisas.
Quanto à segunda dúvida, acho que é este o ponto que separa a minha ideia de Deus da sua, e, no fundo, é disso que se tem sempre falado - para mim: Deus é Amor (é igual a)
para si, pelo que percebi: Deus é o criador do Amor e de Tudo.
Eu estou precisamente a tentar igualar tudo, o que me parece que, para si, é inaceitável.

estamos (des)entendidos, senhor anónimo.
permite-me que publique no blogue esta discussão?
Se eu percebesse Deus não teria o prazer de estar aqui a escrever estas coisas, sei isso sim senhor.

"Há sempre algum amor" - ainda bem.

"E aí não integrara deus, mas viverá em comunhão com ele.
Fisicamente partilhara o universo." - ora bolas, não vou ser deus.

estou a gostar muito desta sua argumentação, pôs-me a pensar. muito agradecido, é mais que provável que tenha toda a razão.
(e cá para mim, imagino que o senhor deva é ter um curso de teologia, que parece que tem os termos todos correctos nem inventa termos estúpidos, como os meus)

Anónimo disse...

só nao usei a palavra alma, porque a maior parte das vezes ela é mal entendida( coitada da alma...), mas talves seja isso sim...

sim, é um ponto muito particular este se deus=amor ou criador e criado por amor... um pouco ridicula ate, creio... mas é uma questao válida!

todo o gosto em partilhar discussões com bloguistas e outros q tais...

inté questionável natura questionário

Anónimo disse...

só nao usei a palavra alma, porque a maior parte das vezes ela é mal entendida( coitada da alma...), mas talves seja isso sim...

sim, é um ponto muito particular este se deus=amor ou criador e criado por amor... um pouco ridicula ate, creio... mas é uma questao válida!

todo o gosto em partilhar discussões com bloguistas e outros q tais...

inté questionável natura questionário